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sábado, 13 de agosto de 2011

Bibliotecas Digitais, Electrónicas ou Virtuais: Eis a questão!

Para os interessados em  biblioteca digital, biblioteca eletrônica e biblioteca virtual vale a pena ler o texto abaixo.  Após saber que a  bibliotecária Sílvia Lopes da biblioteca da  Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa abordou esta temática em sua da dissertação, pedi a ela que nos enviasse um texto para ser apresentado aos leitores do Fontes. Foi uma oportunidade de poder compartilhar conhecimento e experiências com um profissional da área, mas oriunda de outro país. Boa leitura!
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Com o advento das novas tecnologias, alguns autores ao longo, sobretudo, dos últimos dez anos, têm-se debruçado sobre o tema das «Bibliotecas Digitais» e, como tal, têm sido apontadas diversas definições para este conceito. Do mesmo modo, surgem, muitas vezes na bibliografia, expressões como bibliotecas electrónicas e bibliotecas virtuais quando nos referimos a bibliotecas digitais. Torna-se, por isso, bastante importante, tentar clarificar estes conceitos. 
Desta forma, importa compreender a designação “Biblioteca” que tem origem na palavra grega biblioteke, e significa ‘depósito de livros’, ambiente de livros, edifício onde se guardam livros. De modo mais abrangente, biblioteca é todo o espaço físico destinado a uma colecção de livros, revistas e jornais e outros tipos de materiais como CD’s, cassetes VHS, DVD's, entre outros, que possam ser úteis para consulta. No entanto, para que se considere uma Biblioteca, todos estes documentos deverão estar devidamente catalogados, classificados e arrumados ordenadamente segundo regras biblioteconómicas (Dicionário da língua portuguesa contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa, 2001).
Contextualizados com a definição de biblioteca, é premente perceber que transformações o “digital”, “electrónico” e/ou “virtual” acrescentam à realidade das bibliotecas ditas tradicionais. Desta forma, alguns autores como RAFAEL (2001) e CAMPOS (2001) consideram que uma biblioteca electrónica se distingue pelas características/suporte dos documentos que disponibiliza – documentos electrónicos (RAFAEL, 2001; CAMPOS, 2001 in CÂNDIDO, 2004). RAFAEL (2001) alerta ainda para a importância de clarificar o que são documentos electrónicos. Segundo a ISBD(ER) – International Standard Bibliographic Description for Electronic Resources, documentos electrónicos são materiais controlados por computador ou que requerem o uso de um periférico como, por exemplo, um leitor de CD-ROM. Estes recursos podem ser de dois tipos: dados ou programas ou, ainda, a combinação destes, por exemplo serviços online ou multimédia interactiva. Nesta definição estão, portanto, incluídos os recursos que são acedidos directamente bem como os que são de acesso remoto (IFLA, 2004).
BORGES (2002) considera que entre as designações “biblioteca electrónica” e “biblioteca digital” estão apenas questões de terminologia e não de conteúdos ou serviços prestados (BORGES, 2002 in CÂNDIDO, 2004) enquanto ISAÍAS (1999) esclarece que esta dificuldade de definição de conceitos advém do facto da expressão “Bibliotecas Electrónicas” ser uma designação utilizada em Inglaterra para o que nos EUA se designa por “Bibliotecas Digitais” (ISAÍAS, 1999).
A outra expressão comummente encontrada na bibliografia é a de “biblioteca virtual”. CAMPOS (2001) explica que uma biblioteca virtual se define do ponto de vista da colecção evidenciando os contrastes entre uma colecção real, com existência física, vulgarmente pertencente a uma determinada instituição, e uma colecção constituída por documentos digitais (nascidos digitais e/ou digitalizados) (CAMPOS, 2001 in CÂNDIDO, 2004). Segundo LEITE, et al., (2001), biblioteca virtual é definida como sendo uma “realidade que o avanço tecnológico proporcionou; o produto das novas tecnologias aplicadas à produção bibliográfica, ao acesso e à difusão da informação”. Nesse sentido, acrescenta que não as devamos designar bibliotecas virtuais já que o que hoje temos são bibliotecas reais, acessíveis, com conteúdos diversificados e ilimitados no espaço e no tempo e documentos concretos, fisicamente presentes e normalizados (LEITE, et al., 2001), mesmo que nos refiramos aos conteúdos digitais/electrónicos. BORGES (2002) acrescenta ainda que o virtual requer que se recorra ao uso de uma tecnologia recente, a da realidade virtual, muito utilizada em simulações e que pode ser explorada através da estimulação dos diversos sentidos. Ao analisar estas ideias, facilmente se percebe que se trata de uma expressão com significado totalmente díspar das outras duas (BORGES, 2002 in CÂNDIDO, 2004). Deste modo, a expressão que ganha importância será “biblioteca digital” e que é definida por CALDEIRA (2003) como uma colecção estruturada e informatizada de documentos de diversas tipologias e suportes (documentos impressos, audiovisuais, electrónicos) e que se encontram livremente acessíveis ou em situação cujo acesso é de alguma forma condicionado ou, por exemplo, por RAFAEL (2001) como aquela que permite o "acesso remoto ao conteúdo e serviços da biblioteca e outras fontes de informação, na possibilidade de reproduzir, emular e ampliar os serviços das «bibliotecas tradicionais» aproveitando as potencialidades do armazenamento e comunicação digitais para desenvolver serviços mais personalizados e «amigáveis», para promover o acesso e utilização de informação multimédia e reduzir as barreiras de distância (...) e tempo de acesso à informação". LEINER (1998) sugere outra definição considerando biblioteca digital como “a colecção de serviços e a colecção de objectos de informação, sua organização, estrutura e apresentação, que suporta o relacionamento dos utilizadores com os objectos de informação, disponíveis directa ou indirectamente via meio electrónico/digital” (LEINER, 1998 in ISAÍAS, 1999).
ARMS (2000) aponta para o facto de numa definição informal de biblioteca digital estar implícita a existência de uma gestão da informação, com serviços associados e na qual a informação é armazenada em suporte/formato digital estando acessível através da rede. Neste sentido, é considerada fundamental a questão da gestão da informação visto que, ainda segundo ARMS (2000), um conjunto de informação apenas será considerada como colecção quando estiver organizada de forma sistemática. Para a Digital Library Federation (DLF), "Digital libraries are organizations that provide the resources, including the specialized staff, to select, structure, offer intellectual access to, distribute, preserve the integrity of, and ensure the persistence over time of collections of digital works so that they are readily and economically available for use by a defined community or set of communities” (WATERS, 1998).  
Apesar das diferentes definições de bibliotecas digitais encontradas é comum a todas elas a importância atribuída ao acesso remoto aos conteúdos, aos serviços disponibilizados e às diversas fontes de informação. As bibliotecas digitais apresentam três aspectos essenciais associados também às bibliotecas convencionais:
  • Os fundos documentais,
  • A tecnologia e
  • Os procedimentos ou tarefas que permitem a sua utilização.
Outra característica apontada na definição de bibliotecas digitais é a possibilidade de uma mesma informação ser passível de ser acedida por diversos utilizadores em simultâneo, pois está organizada através de software específico num computador ou servidor, que a disponibiliza em rede, após ter passado por um processo de selecção, organização e arquivo (ARMS, 2000).
Uma questão sobejamente discutida relaciona-se com o facto de muitos considerarem a Web como sendo uma biblioteca digital. ISAÍAS (1999) é da opinião que, no limite, a Web pode ser considerada como uma biblioteca digital de âmbito muito geral e de grandes dimensões. Mas considerando as definições apresentadas anteriormente, e ainda segundo WATERS (1998) e LAGOZE, FIELDING e PAYETTE (1998), a Web não tem as características de uma biblioteca tradicional nem digital já que a informação que lá se encontra não está organizada. As bibliotecas digitais são, tal como as bibliotecas ditas tradicionais, uma fonte organizada de informação e de conhecimento. Esta é, talvez, a característica que melhor distingue a “biblioteca digital” da “World Wide Web” na qual a informação não se encontra organizada.
Acerca de todas estas questões, é importante referir que num processo de evolução tecnológica não existem muitas diferenças nos procedimentos/necessidades das pessoas (ARMS, 2000). Pois, se até surgirem as bibliotecas digitais, havia necessidade de criar conhecimento, gerar, gerir, organizar, pesquisar e usar informação, com as inovações tecnológicas elas são precisamente iguais. Os processos, o modo como são expressos e os métodos é que são fortemente influenciados pela tecnologia. Estas mudanças estimulam alterações fundamentais nos processos e formatos sob os quais a informação é criada e disponibilizada. Ainda segundo ARMS (2000), a razão fundamental para a construção de bibliotecas digitais é a crença de que elas possibilitam uma melhor disponibilização da informação, trazendo diversos benefícios como a aproximação do utilizador à biblioteca, a facilidade da pesquisa de informação através das aplicações informáticas, a partilha e actualização da informação, o facto de estarem disponíveis sem limites de horários, bem como o aparecimento de outros formatos para além do impresso.
 Referências Bibliográficas
Arms, W. Y. (2000). Digital libraries. Cambridge: MIT.
Caldeira, P. (2003). “A usabilidade das bibliotecas digitais: a perspectiva dos leitores/ utilizadores”. Cadernos BAD (2), pp. 18-35.
Cândido, P. A. F. (2004). Conceptualização de um modelo de biblioteca digital de artes e design integrada no portal da biblioteca da ESAD - Escola Superior de Artes e Design. Tese de Mestrado, Lisboa, ISCTE – Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa.
Dicionário da língua portuguesa contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa (2001). Lisboa: Verbo.
IFLA (2004). ISBD(ER): international standard bibliographic description for electronic resources. Disponível em http://www.ifla.org/VII/s13/guide/isbder_ww2-1-04.pdf (Acedido em 2008-09-20).
Isaías, P. (1999). Bibliotecas digitais. Lisboa: Universidade Aberta. ISBN 972-674-277-3
Lagoze, C.; Fielding, D.; Payette, S. (1998). “Making global digital libraries work: collection services, connectivity regions, and collection views”. International Conference on Digital Libraries, Pittsburgh, 23-26 Junho de 1998, pp.134-143. Disponível em www.cs.cornell.edu/lagoze/papers/lagoze.pdf (Acedido em 2006-07-04).
Leite, I. P., et al. (2001). “Tradicional vs. Virtual - Questão Irreal?”, Páginas a&b, (7) 2001, pp. 85-92.
Rafael, G. G. (2001). “Documentos electrónicos: da biblioteca de papel à biblioteca digital”. Páginas a&b (6) 2001, pp.7-20.
Waters, D. J. (1998). “What are digital libraries?”, CLIR issues (4) July/August. Disponível em http://www.clir.org/PUBS/issues/issues04.html#dlf (Acedido em 2006-07-04).

Texto de Sílvia Maria da Costa Lopes, bibliotecária da Biblioteca de Farmácia da Universidade de Lisboa, Portugal  especialmente elaborado  para publicação no Fontes em 08/08/11.
 Nossos agradecimentos à Silvia pela sua colaboração!!
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segunda-feira, 2 de maio de 2011

Biblioteca eletrônica brasileira é 1º lugar no ranking mundial


A biblioteca eletrônica SciELO Brasil foi classificada em 1º lugar no ranking mundial de portais de acesso aberto Webometrics, divulgado pelo laboratório Cybermetrics, grupo de pesquisa vinculado ao Conselho Superior de Pesquisas Científicas da Espanha.
Curiosamente, a SciELO Brasil não estava em primeiro lugar em nenhum dos quatro quesitos medidos no ranking: foi a 2º tanto no item tamanho quanto no de presença no portal acadêmico Google Scholar, 3º em número de arquivos em formato pdf e 4º em visibilidade, que é a quantidade de links que remetem a páginas do portal. O somatório, contudo, rendeu-lhe a liderança. “A consistência do SciELO prevaleceu sobre outros competidores”, diz Abel Packer, coordenador da biblioteca.
A segunda posição coube ao portal HAL, do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França. Coleções SciELO de outros países também saíram-se bem no ranking, caso do Chile (6º lugar) e Cuba (12º). A biblioteca SciELO de Saúde Pública, sediada no Brasil, desponta na 9ª posição. Outro destaque brasileiro é a coleção Brasiliana, da USP, em 24º lugar.
A SciELO Brasil, sigla para Scientific Electronic Library Online, abrange uma coleção selecionada de 221 periódicos brasileiros, publicados em acesso aberto na internet. Criada em 1997, é um programa especial da FAPESP, em parceria com o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde, Bireme, e com a participação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Atribui-se à biblioteca um papel importante na qualificação das revistas científicas brasileiras.
Para ser admitido e depois se manter na coleção, cada periódico precisa cumprir uma série de exigências rígidas, em relação à qualidade de conteúdo, à originalidade das pesquisas, à regularidade da publicação, à revisão e aprovação por pares das contribuições publicadas e à existência de um comitê editorial de composição pública e heterogênea.
Para Abel Packer, o desempenho da biblioteca no Webometrics mostra o acerto da decisão da FAPESP e da Bireme de investir numa coleção de acesso aberto. “O Webometrics é uma iniciativa que começa a adquirir relevância, com toda a complexidade que vem junto com metodologia e estratégias de hierarquizar o desempenho na internet. Ele utiliza um método que consegue avaliar produtos e serviços e sistemas que operam em acesso aberto na web, dividindo-os em repositórios e portais”, afirma.
A conquista do SciELO deu-se na categoria portal. Já na categoria repositório, o primeiro lugar coube ao Social Science Research Network (SSRN). Um destaque brasileiro nesta categoria foi a Biblioteca Digital de Teses da Universidade de São Paulo, classificada em 14º lugar na lista de repositórios. Criada em 2001, a biblioteca mantém acesso online de teses e dissertações defendidas na USP para consulta ou download. Ainda na categoria repositório do ranking Webometrics, a Biblioteca Digital Jurídica do Superior Tribunal de Justiça desponta na 12ª posição.
Fabricio Marques - Portal Fapesp - 04/03/2011  fonte:http://www.ofaj.com.br
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